Roteiro Salar do Uyuni, Bolívia: hotel de de sal, cemitério de trens e rali Dakar


Como prometido pelo guia de nossa viagem no dia anterior, acordamos às 4h30. Não se preocupe caso tenha dificuldade para acordar ou se o seu despertador não funcionar: o guia se encarrega de passar pelos quartos acordando a todos (ele chama do lado de fora, não se preocupe que ele não entra nos quartos).
Saímos – com atraso – às 5h20, já com todas as malas e águas no carro. Ao olhar para o céu é possível ver uma infinidade de estrelas. Apesar do cansaço e horário, o céu estrelado da madrugada é uma das imagens que ficam marcadas.

No hotel de sal há apenas 3 grupos de 6 pessoas cada. Não é um passeio caro e exclusivo, mas são poucos que estão dispostos ao perrengue dessa viagem.

Uma “praia” no deserto de sal

O salar que fica em frente aparenta ser uma praia, por isso o chamam de “mar de sal”. São 12.000 km (você não leu errado!), então de fato ao olhar no horizonte aparenta mesmo ser um mar sem fim.

Faz muito frio! O guia entra com o jipe 4×4 “mar adentro” por uma estrada de sal que rapidamente se acaba e passamos a seguir pelo sal (ou seria pelo mar?).

Ao olhar pela janela do jipe você tem um colapso: é um branco no chão e no céu. Uma paisagem que é linda e ao mesmo tempo estranha. Estamos mesmo no planeta terra?

 




Dirigindo pelo mar de sal

É difícil saber como o guia Mário se orienta no meio de tanta cor branca. Não há uma estrada, bússolas e os aparelhos de GPS não funcionam nesta região do planeta (devido a quantidade excessiva de lítio no subsolo do mar de sal). Mas o guia segue firme. Perguntei a ele qual era o “sistema” ou lógica usada: a resposta foi “anos de prática”.

Após algum tempo de muito branco por todos os lados e direções, eis que começa a surgir uma ilha no meio desse monte de “nada”. É uma das ilhas espalhadas no deserto/mar de sal. Trata-se de pequenos montes.

Uma ilha no meio do deserto (de sal)?!

Paramos na ilha dos Cactus. Como o nome dia, ela é cheia de cactus gigantes, uma das mais famosas ilhas do Salar do Uyuni. Para acessar a ilha pagamos 30 pesos bolivianos por pessoa. O carro 4×4 fica estacionado na “praia” logo abaixo. Subimos o pequeno morro em meio a cactus gigantes e escolhemos o melhor local para apreciar o nascer do sol. Mais uma experiência para a lista daquelas que irá se lembrar por um bom tempo. Sem nenhuma interferência e com um ambiente extremamente limpo e branco, onde o rei do show é o sol. Confesso que o sono e cansaço aliados ao frio intenso nesse horário quase ofuscam esse momento, mas isso logo é esquecido quando o sol nasce lentamente.
Após esse período de observação e muitas fotos, descemos e há um café da manhã preparado na “praia”. Nada de luxo, mas tudo muito saboroso. O valor pago pelo acesso à ilha inclui o uso do banheiro, que é limpo e tem papel (coisa rara em várias outras paradas!).

Ilha de cactus no meio do “mar” de sal

O rali Dakar e o Salar do Uyuni

Nosso guia Mário informa que o famoso rali Dakar originalmente possuía um trecho que passava pelo meio do deserto de sal no Uyuni, porém após vários condutores participantes do rali se perderem, perceberam que bússolas e GPS não funcionam aqui e por este motivo, o circuito foi alterado nos anos seguintes.

O guia nos aponta outra montanha e diz que está a 60km de distância do ponto onde estamos. Estranho! Morando em São Paulo não me recordo de avistar algo a 60km de distância. Tudo aqui é muito plano e limpo, com pouca ou nenhuma interferência.
Ao lado dessa montanha e mais ao fundo há outra que ele estima ter entre 100 e 120 km de distância. Parece menos, porém o mar de sal engana. Ilusões do deserto de sal. Definitivamente perder-se por aqui não é uma boa ideia.

Voltamos ao nosso jipe e partimos por volta das 8h30 com destino a uma área do salar praticamente inexplorada. Nova parada para tirar fotos. Nessa hora o guia nos ajuda a tirar algumas fotos com poses divertidas.

 

Após quase 1h aproveitando o local e tirando muitas foros, seguimos de carro para o hotel e museu de sal. Esse hotel fica no meio do deserto de sal e está inativo. Funcionou há muito tempo atrás e hoje serve apenas de museu. A frente desse hotel esta localizada a placa do Rali Dakar. Há banheiro também por 5 bolivianos.

 

Uma nova parada um pouco mais à frente nos aguarda, num estranho local com água, porem água com gás!




 

Alimentação no deserto de sal

Hora do almoço e nossa parada foi no povoado de Colchane, que fica às margens do Salar. Há um pequeno comércio com algumas lojas vendendo artesanato e souvenires, onde encontrará pequenos fragmentos de sal esculpidos em formato de Lhamas e outros formatos. Há ainda tecidos típicos e outras coisas. O pagamento deve ser feito em pesos bolivianos e em geral os itens são muito baratos. Após algumas comprinhas, almoçamos num restaurante (ou um local que pretendia ser um restaurante). A comida não foi boa (macarrão sem molho algum, legumes cozidos e frango empanado. Tudo frio! Quer olhar o cardápio? Não tem cardápio pois só há uma opção).

 

Um passeio no cemitério de trens

Alimentados, seguimos para o incomum Cemitério de Trens. Esse é um dos locais que dificilmente terá a oportunidade de conhecer a não ser que vá até o Salar do Uyuni. Pela estrada (agora asfaltada) pode se ver o salar e a impressão é de realmente ser um mar de água, pela ilusão formada sobre a imensidão de sal com o sol batendo. Para chegar ao Cemitério de Trens, passamos pela cidade do Uyuni, que empresta seu nome ao famoso salar.

 

Após o cemitério de trens, passamos rapidamente no centro da pequena cidade de Uyuni, para uma rápida parada na agência de viagens responsável por essa excursão. Chegamos à agência por volta das 14h, deixamos nossas malas lá até as 16h. Há água, banheiros e internet de relativa qualidade. Aproveitamos para avisar nossos parentes que estamos vivos, já que nos dias anteriores não foi possível nenhuma comunicação (não há internet ou sinal de telefonia).

Ás 16h partimos rumo a San Pedro do Atacama em uma ainda mais cansativa viagem de volta, de cerca de 4 horas, onde paramos para dormir e nos alimentarmos, no povoado chamado Villa Mar. Dormimos em uma hospedaria. O pequeno povoado é o conjunto de algumas dezenas de casas instalado no meio do deserto (não mais de sal). Nada de luxo, mas pelo menos um chuveiro quente (em banheiro externo) e uma cama confortável.
No dia seguinte acordamos novamente as 5h da manhã para o trecho final de volta a San Pedro do Atacama. Mais 4 horas de viagem e por fim chegamos de volta ainda pela manhã. Esse último dia deve ser reservado para dormir bem, tomar um belo banho, arrumar as malas (de verdade) e comer bem em algum restaurante de verdade de San Pedro do Atacama (que são ótimos por sinal).




Apesar de todo o cansaço tivemos ainda espaço para um momento “bônus”: no caminho de volta enfrentamos uma tempestade de areia. Quando estava longe era divertido e todos queriam admirar e tirar fotos. Quando ela passou por nós, um medo foi instalado e silêncio absoluto dentro do veículo.

Como pode ser percebido, é uma viagem cheia de perrengues e nenhum conforto. Se pretende fazê-la, minha recomendação é preparar-se para tudo isso. Por outro lado, o visual e as experiências compensam todo sofrimento.

 

Confira os demais dias e dicas dessa viagem ao Salar do Uyuni clicando aqui.

 

Esse texto faz parte de uma série de artigos sobre a viagem ao Salar do Uyuni, publicados aqui no ViajaTerapia. Se quiser conferir os demais dias e dicas dessa viagem, clique aqui.

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Sobre Pedro

Apaixonado viajar e falar sobre viagem. De tanto que gosta do tema, resolvi fazer esse blog para contar sobre as viagens que fiz e as que estou planejando fazer. Fui a mais lugares do que já pensei que pudesse e a menos do que gostaria. Quando mais diferente a cultura, mais interessante fica a viagem. Além de “Disneymaníaco”, gosto especialmente de conhecer as mais diferentes culturas e pessoas.

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